Joy
Lançamento Netflix: 24 de maio de 2019;
Direção e roteiro:
Sudabeh Mortezai;Sinopse Netflix: Na Áustria, uma prostituta nigeriana conta os dias para quitar suas dívidas enquanto ensina o ofício a uma novata e avalia os perigos de pegar um atalho para a liberdade.
Duração: 1h 39min;
País de Origem: Austria;
Classificação etária: 16 anos;
Ano de lançamento: 2018;
Gênero: Drama.
O nome da personagem protagonista do filme: Joy.
Ela é Nigeriana, prostituta na Austria com nome em inglês
que também significa satisfação.
Eis minha primeira questão.
Uma mulher Africana ganhando a vida na Europa. Um filme que
retrata a cruel e real vida de mulheres negras em países de brancos
colonizadores.
Achei o roteiro fraco. A atriz é quem prende a gente na
trama. Suas expressões não precisam de palavras ela segura bem o papel.
O roteiro é comum, não por conta da realidade que
infelizmente ainda hoje é real. As cenas são fortes e podem ser gatilhos emocionais
para quem já sofreu violência sexual, portanto atenção. Mas voltando ao
roteiro, não coloca a visão da protagonista. Embora ela seja a narrativa, ficou
um olhar de fora sobre ela.
Penso na personagem do livro Africanah* escrita por uma
mulher Nigeriana e ali eu me deparo com a profundidade do ser que é a protagonista
do livro. Aqui nesse filme a direção é de olhar eurocêntrico sobre uma mulher
que precisa estar ali mesmo sendo trabalhadora sexual análoga a escrava.
Um exemplo do filme é no momento em que o cliente “apaixonado”
da Joy leva uma grana pra ela. Ali eles tem várias questões colocadas de modo
superficial, que eu acho perigoso, comum e cheio de preconceito:
- ele leva uma bolada propondo exclusividade ( ele a quer –
além de sua esposa mãe de seus filhos- como prostituta exclusiva) ela recusa,
parece que é idiota nessa hora...
- ela precisa ajudar o pai que está doente, ela acredita que
isso tem a ver com sua religião e o acordo que fez em sua aldeia. Aqui ele a critica,
pois imagina pra um austriaco acreditar em vodu? Ele quer que ela pague o que
deve á madame que retém seu passaporte, quem lhe trouxe pra trabalhar na Europa.
Ela quer mandar o dinheiro para o pai. Aqui
é muito claro a visão eurocêntrica. Tendemos a achar a mulher idiota por
acreditar na sua própria cultura? Burra por temer seus iguais que usam de
violência para conseguirem o que querem? Ele termina com ela e pega o dinheiro
de volta.
- a madame dela ajuda ela com a doença do pai, ela pagará
depois com juros. Mais tarde descobre que o irmão comprou carro novo na europa
( Família na Africa é mal caráter?!) . Isso tudo com a ajuda da madame. Essa
parte aqui que depois é uma festa no fim do filme, gente aqui você vê a ideia
de que a escravidão de mulheres é feita por mulheres! Parece que os brancos não
estão nessa trama!
Juro que quando os brancos aparecem na maioria são passivos
( tirando os 3 caras da cena do estrupro , onde dois não tem rosto) . A sim a
outra cena de estupro que é com a prostituta iniciante é a primeira cena de
violência. Nessa cena são dois homens Nigerianos a mando da Madame, como corretivo
para a novata que não queria ser prostituta, embora tenha pago para estar ali. Esse embora, é reforçado constantemente. Umas
três cenas coloca esse questionamento em que Joy e as outras prostitutas
afirmam que “escolhem” estar ali.
Acho muito sério esse tipo de imagem. Por mais que seja
verdade, a montagem da sequência das cenas tende a ser colonizadora. Os piores
momentos são feitos entre os oprimidos que oprimem.
Qual a função disso hoje em dia depois das certezas
históricas que envolvem o racismo sofrido pelos povos depois dos invasores da
Europa?
Quando uma mulher é interessante no cinema atual sem ser objeto
de desejo, prazer, violência e opressão?
